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Ensino Remoto Emergencial: A Oportunidade da Escola Criar, Experimentar, Inovar e se Reinventar.

É compreensível que no curso de uma pandemia todos fiquem um pouco perdidos, desorientados e como eu, assustado. O ser humano não gosta de imprevistos, é natural ao ser humano buscar a zona de conforto, o previsível, o estável.

Um vírus virou um cisne negro (1) avassalador. Em poucos dias o que era um surto de gripe na China atingiu todo o mundo. Uma pandemia com consequências inimagináveis em pleno século 21.

Mas o que mais me assusta é a forma como as escolas e universidades estão reagindo a este problema. É compreensível que não tivemos tempo para planejar uma solução educacional remota. Nunca pensamos na possibilidade dos nossos alunos e professores não poderem vir até às nossas salas de aulas. Mas chamar isso de educação a distância é um afronto à ciência da educação e às teorias educacionais.

Não estamos fazendo ensino ou educação a distância.

Venho insistindo e tentando emergir este termo no Brasil desde que li, no dia que publicado, o elegante artigo de Charles Holges et al., “The Difference Between Emergency Remote Teaching and Online Learning” (2).

Estamos praticando um Ensino Remoto Emergencial (ERE)

É ensino remoto porquê de fato professores e alunos estão impedidos por decreto do Ministério da Educação e Secretariais Estaduais de Educação de frequentarem escolas, evitando a disseminação do vírus, seguindo os planos de contingências orientados pela Ministério da Saúde.

É emergencial porquê do dia para noite o planejamento pedagógico, pensado, debatido e estudado para o ano letivo de 2020 teve que ser engavetado, e talvez ainda será jogado no lixo.

Em cenários de incerteza, todos são novatos…

O que está acontecendo é um planejamento pedagógico in real time*. Nunca as escolas tiveram que experimentar tanto, e gestores e professores tomarem decisões tão rápidas. Nunca o TI foi tão estratégico para o negócio educação como está sendo agora.

Por que? Pelo simples fato de o currículo da maioria das escolas não foi criado, e nunca foi sequer pensado, para ser aplicado remotamente. A maioria dos professores e funcionários nunca foram treinadas para o ensino on-line ou através de ferramentas virtuais.

No máximo algumas escolas e IES ofereciam treinamentos e oficinas de aplicativos e ferramentas digitais numa tentativa de enriquecer as aulas presenciais, e mesmo assim com muita resistência dos professores. Eu sei porque trabalho diretamente com formação de professores a algum tempo. Sei do que estou falando…

É muito novo para boa parte do mundo e inédito para o Brasil, o fato de alunos e professores não poderem vir para a escola.

Então, temos que reconhecer que:

  1. Não estávamos preparados para isso. Ninguém estava.
  2. Nossos professores nunca foram treinados para ensinar on-line
  3. O Currículo não estava adaptado para um ensino on-line
  4. É uma experiência nova para todos (Gestores, professores, alunos e pais)
  5. O planejamento e entrega do ensino está sendo emergencial eem tempo real.

Frente a todos esses desafios, estamos TODOS fazendo o possível para que tudo funcione da melhor maneira possível. Fazendo o possível para que professores ensinem e alunos aprendam. Fazendo o possível para demonstrar o valor do serviço educacional para os pais, mesmo que remoto e emergencial, para justificar as mensalidades. Fazendo o possível para atender as normativas e resoluções dos Conselhos Estaduais de Educação e salvar o Ano Letivo de 2020.

De forma emergencial e com pouco tempo de planejamento e discussão (o que levaria meses em situação normal), professores e gestores escolares, público e privado, da educação básica a superior, tiveram que adaptar in real time o currículo, atividades, conteúdos e aulas como um todo, que foram projetadas para uma experiência pessoal e presencial (mesmo que semipresencial), e transformá-las em um Ensino Remoto Emergencial totalmente experimental.

Fazendo um recorte desse processo, podemos afirmar que nunca a educação foi tão inovadora. Foi a transformação digital mais rápida que se tem notícia num setor inteiro e ao mesmo tempo. Escolas e IES tem aprendido a fazer gestão enxuta (3) e experimentar o estilo Startup de conduzir o negócio, ou seja, o ciclo construir, testar, aprender, ajustar, construir, testar e aprender a cada aula, a cada dia, a cada semana. E seguirá assim enquanto esse lockdown durar (4).

Este é um desafio imenso, um trabalho intenso, mas é a única opção.

É a única opção que temos para ensinar. A única opção que os alunos têm para aprender. A única opção que temos para justificar as mensalidades. A única opção que temos para salvar os empregos. A única opção que temos para não perder o ano letivo. A única opção que temos para salvar o negócio.

Por isso insisto no termo: Ensino Remoto Emergencial (ERE).

Ensino Remoto Emergencial como uma mudança temporária da entrega de instruções para um modo de entrega alternativo devido a circunstâncias de crise

Os autores Charles Holges et al. definemEnsino Remoto Emergencial como uma mudança temporária da entrega de instruções para um modo de entrega alternativo devido a circunstâncias de crise.Envolve o uso de soluções de ensino totalmente remotas para instrução ou educação que, de outra forma, seriam ministradas presencialmente ou como cursos combinados ou híbridos e que retornarão a esse formato assim que a crise ou emergência tiver diminuído (2).

É fundamental que fique muito claro a todos que o objetivo principal nessas circunstâncias não é recriar um ecossistema educacional robusto, mas fornecer acesso temporário a estratégias de ensino-aprendizagem de uma maneira que seja rápida de configurar e entregar de forma simples e confiável durante uma emergência ou crise.

O que me assusta é ver o movimento de gestores em busca de soluções robustas, completas e complexas de EaD, e empresas e fornecedores que aproveitam este momento de fraqueza do sistema para penetrar pelos flancos dos muros das escolas com plataformas, serviços, e soluções complexas demais para serem imediatamente e emergencialmente utilizada.

Gestores cuidado com os Cavalos de Tróia (5). A cartilha para tempos de crise é bem conhecida: faça o mínimo, preserve o caixa, foque na operação atual, faça o simples que funciona. E invista muito na comunicação com os alunos, pais e seus colaboradores. No fim do dia, eles são o negócio.

A mudança para o ERE exige que os professores assumam mais controle do processo de criação, desenvolvimento e implementação de cada aula. O professor agora é, de verdade, a cara da escola. Nunca teve um papel tão importante e estratégico.

Esses professores precisarão de apoio e ajuda para desenvolver habilidades para trabalhar e ensinar num ambiente online, enquanto ensinam e trabalham.

Cada aula será um experimento…

Todos são novatos. A cada dia vamos criar aulas, testá-las quase que imediatamente com os alunos, e aprender muito neste processo. Neste período, a aprendizagem do professor será intensa, aprenderá o que funciona e o que não funciona. O professor terá a oportunidade de ajustar o que não funcionou bem e intensificar o que parece ter funcionado, e já testar na próxima aula, para aprender ainda mais em cenário real de aula. Desafiador, mas estimulante.

Gestor não cometa o erro de querer padronizar…

Você, seu time e sua escola ou IES tem a oportunidade única de se tornarem uma instituição antifrágil, uma escola antifrágil, uma universidade antifrágil. E porque não sonhar num sistema educacional antifrágil (6).

Antifrágil é um termo cunhado pelo autor, economista e investidor Nassim Taleb que explica em seu livro de mesmo nome, que algumas coisas podem se beneficiar com caos (7). Eu acredito que a educação tem uma boa chance de melhorar como um todo, de verdade.

Mas para isso, permita que seus professores experimentem coisas novas. Novos métodos, novas tecnologias a cada aula. Imagine o número de experimentos didáticos e aprendizagem acumulada que sua escola vai realizar nas próximas semanas. Cada aula é uma unidade muito pequena diante de todo o currículo. Se algum experimento durante a aula, ou mesmo que em uma aula inteira não dê certo, não importa. Este pequeno momento não vai comprometer todo o programa de ensino. Por outro lado, o que se pode aprender nesses experimentos didáticos terá um valor inestimável para o professor, para a escola e IES como um todo.

Se algum experimento durante a aula, ou mesmo que em uma aula inteira não dê certo, não importa.

Portanto, como gestor, dê autonomia aos seus professores. Confie no feeling deles, eles sabem o que funciona e o que não funciona. Liberte-os das amarras do sistema de ensino, que os prende e os engessam. Permita que seus professores criem, inovem, aprendam, mesmo que errem de vez em quando — desde que o erro seja pequeno e rápido — incentive-os a compartilhar seus cases de sucesso, e talvez até o insucesso e o que deu errado, para outros evitarem cometer erros já conhecidos.

Fazendo isso o salto de qualidade, de maturidade do time e de inovação da sua escola ou IES será um legado desta crise.

Realmente acredito que o ensino remoto emergencial vai nos ensinar a ser a escolas que sempre sonhamos e nunca pensamos ser possível construí-la. Uma escola que experimenta, que aprende, que inova, que tenta o novo, e sempre busca o melhor para o ator mais importante deste processo e a razão da escola ou IES existir, o aluno e seu ganho de aprendizagem.

A transformação da educação poderá ser o grande legado dessa crise.

Se isso faz sentido para você. Compartilhe esse texto com seus colegas. Compartilhe nas redes sociais. Vamos debater essas ideias. Vamos construir uma nova educação. Vamos fazer do limão uma limonada e deixar um legado para nossos alunos e nossos filhos após esta crise.

Professor converse com seus colegas e gestores.
Pais converse sobre isso com outros pais e com os professores dos seus filhos.
Gestores reúnam seu time — virtualmente — e converse sobre essas idéias.
Grande abraço,

— — — –

Prof. Paulo Tomazinho

Doutor em Educação e especialista em aprendizagem e tecnologias educacionais. Ajuda escolas e IES a implementar metodologias ativas e a fazer a gestão da inovação.

Você pode agendar uma conversa em www.paulotomazinho.com.br, meus cursos estão disponíveis em www.metaaprendizagem.com.br. Caso queira seguir meu trabalho procure por @paulotomazinho nas redes sociais.

Referências:

1- Nassim Taleb — A lógica do Cisne Negro descreve eventos altamente improváveis com potencial de impactar o mundo, os mercados e a forma como vivemos. https://www.amazon.com.br/s?k=cisce+negro&i=stripbooks&__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&ref=nb_sb_noss

2- Charles Holges et al. (2020). The Difference Between Emergency Remote Teaching and Online Learning https://er.educause.edu/articles/2020/3/the-difference-between-emergency-remote-teaching-and-online-learning#fn1

3 — Eric Ries, A Startup Enxuta. https://www.amazon.com.br/startup-enxuta-Eric-Ries/dp/8543108624/ref=asc_df_8543108624/?tag=googleshopp00-20&linkCode=df0&hvadid=379708266945&hvpos=&hvnetw=g&hvrand=17179785119495247571&hvpone=&hvptwo=&hvqmt=&hvdev=c&hvdvcmdl=&hvlocint=&hvlocphy=1001634&hvtargid=pla-901645014167&psc=1

4 — Paulo Tomazinho. Lockdown COVID-19. https://www.semesp.org.br/inovacao/noticias/semesp-indica-a-aprendizagem-nao-pode-parar/

5 — O autor usou a metáfora Cavalo de Tróia para remeter ao conceito “presente de grego”, que parece ser de graça mas traz grande risco. Neste contexto, risco de coleta de dados da sua base de alunos e professores ou mesmo compromissos financeiros futuros.

6 — Sistema educacional antifrágil é uma ideia utópica do autor, onde no setor público cada diretor teria autonomia para decidir de forma colegiada com os professores e associações de pais e mestre locais, quais as melhores formas de conduzir cada escola. Desde o projeto político-pedagógico, concepções didáticas, metodologias, avaliações e até orçamento. A ideia é ter tantos experimentos quanto possíveis e este sistema vai aprendendo o que funciona e o que não funciona, validando as boas práticas em rede. O sistema educacional antifrágil se opõe completamente a padronização e decisões top-down atual ou modelo franqueador-franqueado da educação pública praticada pelas secretarias estaduais e municipais de educação.

7 — Nassim Taleb — Antifrágil — as coisas que se beneficiam com o caos. https://www.amazon.com.br/Antifr%C3%A1gil-Coisas-que-beneficiam-caos/dp/8576846136/ref=asc_df_8576846136/?tag=googleshopp00-20&linkCode=df0&hvadid=379773318239&hvpos=&hvnetw=g&hvrand=3363569194175469939&hvpone=&hvptwo=&hvqmt=&hvdev=c&hvdvcmdl=&hvlocint=&hvlocphy=1001634&hvtargid=pla-387685956890&psc=1

*Originalmente utilizei a expressão em inglês “just in time” em português “bem a tempo”e agradeço a amiga e Google Innovator Mariana Ochs por me sugerir o termo “in real time” em português “em tempo real”, que realmente melhor descreve o que quis dizer.

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COVID-19 Roteiro Educacional Harvard e OCDE comentado por Paulo Tomazinho

Documento original: Download PDF

Um roteiro para guiar a resposta educacional à Pandemia da COVID-19 de 2020. Harvard e OCDE, 1,2

Resumo 1. 30 de março de 2020

Autores:
Fernando M. Reimers, Global Education Innovation Initiative, Harvard Graduate School of Educatio,
Andreas Schleicher, Directorate of Education and Skills, Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)

1 Tradução para o português por Raquel de Oliveira, FGV EBAPE CEIPE. Revisão por Teresa Pontual e Claudia Costin, FGV EBAPE CEIPE.

2. Comentários de Paulo Tomazinho, Meta Aprendizagem/UNIPAR

Meus grifos e comentários sempre estarão destacados no texto por letras em negrito e uma tarja vertical a esquerda do texto, para não interferir na originalidade do texto dos autores e tradutores. — Paulo Tomazinho

Sumário

Este relatório tem por objetivo apoiar a tomada de decisões educacionais para desenvolver e implementar respostas efetivas de educação para a Pandemia da COVID-19. O relatório explica por que as necessárias medidas de isolamento social causarão uma disrupção na educação escolar por vários meses, na maioria dos países do mundo. Na ausência de uma estratégia intencional e eficaz para proteger as oportunidades para aprender durante este período, esta interrupção causará graves perdas de aprendizado para os alunos.

O termo disrupção usado aqui tem o sentido de ruptura e quebra. E não no sentido de inovação disruptiva. Isso fica claro quando os autores afirmam que esta interrupção causará graves perdas de aprendizado para os alunos.

O relatório propõe que os líderes dos sistemas e organizações educacionais desenvolvam planos para a continuidade da educação por meio de modalidades alternativas, durante o período de isolamento social necessário. Também oferece um quadro de áreas a serem cobertas por tais planos.

É interessante notar que não falam de ensino a distância como muitos estão chamando no Brasil, e sim sugerem que os líderes educacionais desenvolvam planos de continuidade da educação por meio de modalidades alternativas…

Com base em uma rápida avaliação das necessidades educacionais e respostas que surgiram em noventa e oito países, o relatório identifica as necessidades cruciais que devam ser abordadas nesses planos, assim como as áreas passíveis de enfrentar maiores problemas de implementação. Examina também as respostas educativas de vários países à crise. Com base em uma análise dos dados da mais recente aplicação do PISA, o relatório também descreve os desafios enfrentados por vários sistemas educacionais para depender da educação online como uma modalidade alternativa.

Introdução

À medida que a Pandemia da COVID-19 assola o mundo, é fundamental atender às necessidades educacionais de crianças e jovens durante a crise. Este documento pretende apoiar os líderes educacionais em vários níveis de governança educacional, em organizações educacionais públicas e privadas, na formulação de respostas educacionais adaptativas, coerentes, efetivas e equitativas a uma crise que trará rupturas significativas às oportunidades educacionais em todo o mundo.

Certamente, a Pandemia da COVID-19 é, acima de tudo, uma questão de Saúde Pública, e mitigar seu impacto dependerá muito da ação dos cientistas e fabricantes farmacêuticos na descoberta de uma vacina ou outros fármacos para prevenir ou tratar as infecções pela COVID-19, e de encontrar abordagens para fornecer tais medicamentos em larga escala. Na ausência de intervenções farmacêuticas eficazes, a mitigação do impacto da pandemia dependerá das ações da saúde pública e de funcionários do governo para retardar a disseminação da infecção, por meio de medidas como o distanciamento social.

“Essas intervenções não-farmacêuticas em larga escala variam entre países, mas incluem distanciamento social (como a proibição de grandes reuniões e a recomendação aos indivíduos para não socializarem fora de suas casas), fechamento de fronteiras, fechamento de escolas, medidas para isolar indivíduos sintomáticos e seus contatos, e bloqueios em larga escala de populações, com todas as viagens domésticas, exceto as essenciais, proibidas.”

Como as previsões do desenvolvimento de uma vacina, na melhor das hipóteses, apontam para setembro de 2020, daqui a seis meses completos a principal estratégia disponível para evitar a rápida disseminação de infecções no futuro próximo consistirá, provavelmente, no distanciamento social. Embora essa estratégia, se adotada por toda a população ou a maioria dela, provavelmente consiga diminuir a velocidade da infecção, como demonstrado na China, Japão, Coréia e Singapura, sua eficácia depende de uma liderança oportuna e eficaz por parte dos líderes políticos e de uma resposta receptiva e disciplinada por parte dos cidadãos. As evidências sobre liderança e acompanhamento em vários países do mundo são mistas, pelo menos até o momento, o que exigirá medidas contínuas de distanciamento social e prolongará a duração da Pandemia e aumentará seu impacto. As infecções e mortes atuais e esperadas, no presente e nos próximos meses, são terríveis. O Centro de Ciência e Engenharia de Sistemas da Universidade John Hopkins relata 788.522 casos confirmados globalmente e 37.878 mortes, em 30 de março de 2020.4 Pesquisadores do Imperial College, em Londres, estimam que o impacto global no ano de 2020 oscilará entre 20 milhões de mortes, com intervenções não-farmacêuticas eficazes, e 40 milhões de mortes, sem tais intervenções.5 Somente nos Estados Unidos, o Dr. Anthony Fauci, Diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas, estima que a Pandemia causará entre 100.000 e 200.000 mortes.6

Devido à escala de impacto da Pandemia, não se trata apenas de uma questão de Saúde Pública. A Pandemia e as respostas necessárias para contê-la, terão impacto na vida social, econômica e política. As restrições à mobilidade criadas pela distância social têm diminuído a oferta e a demanda econômicas, impactando severamente as empresas e os empregos. Este impacto será mais duro nas populações mais vulneráveis dentro dos países e nos países com as infraestruturas de saúde mais fracas.

As restrições causadas por intervenções não-farmacêuticas, como o distanciamento social, também têm impactado a educação em todos os níveis, e continuarão a fazê-lo por pelo menos vários meses, uma vez que alunos e professores não conseguem se reunir fisicamente nas escolas e universidades.

Os autores são prudentes em não querer prever o futuro, mas reconhecem que o distanciamento social impactará a educação em todos os níveis e que o isolamento poderá continuar pro vários meses.

Essas limitações na capacidade de se encontrar durante uma pandemia prolongada provavelmente limitarão as oportunidades de aprendizagem dos alunos durante o período de distanciamento social. Sabemos que o tempo gasto no aprendizado, ou tempo de aprendizado, é um dos preditores mais confiáveis de oportunidades de aprendizado. Nos Estados Unidos, pesquisadores têm documentado os efeitos da “perda de aprendizagem nas férias de verão” demonstrando que a interrupção prolongada dos estudos não só causa uma suspensão do tempo de aprendizagem, como também uma perda de conhecimento e habilidades adquiridas. Uma análise das pesquisas sobre perda de aprendizagem no verão nos Estados Unidos demonstra que, durante as férias de verão, os estudantes perdem o equivalente a um mês de aprendizagem no ano letivo; a perda é maior em matemática do que em leitura, e a perda aumenta com a série cursada. A perda também é maior para os estudantes de menor renda.

Os autores citam o Meta-Analise de Cooper, et al. The Effects of Summer Vacation on Achievement Test Scores: A Narrative and Meta-Analytic Review, que interrupções de estudos como férias escolares é prejudicial ao aprendizado e a memória dos alunos. Acesse o artigo clicando aqui.

Além disso, as diferenças entre os alunos em relação ao apoio dos pais, que lhes podem proporcionar oportunidades educacionais diretamente ou oferece-las em casa, as diferenças na capacidade dos diferentes tipos de escolas de apoiar a aprendizagem de seus alunos remotamente, e as diferenças entre os alunos em sua resiliência, motivação e habilidades para aprender de forma independente e online, são susceptíveis de exacerbar as lacunas de oportunidades já existentes. Além disso, as diferenças entre os sistemas escolares em sua capacidade de projetar e implementar respostas educacionais eficazes, durante o período exigido, ampliarão as lacunas de oportunidade entre eles. Como resultado, na ausência de uma resposta educacional intencional e efetiva, a Pandemia COVID- 19 provavelmente irá gerar a maior disrupção nas oportunidades educacionais em todo o mundo, em uma geração. Esta perturbação terá impacto na subsistência dos indivíduos, e nas perspectivas de suas comunidades.

É imperativo, por esta razão, que os líderes educacionais tomem medidas imediatas para desenvolver e implementar estratégias que mitiguem o impacto educacional da Pandemia. Acreditamos que a cooperação pode ajudar os líderes educacionais na elaboração de respostas educacionais eficazes e que a primeira e mais simples forma de cooperação é a troca de conhecimentos sobre o que as escolas, comunidades e países estão fazendo atualmente para proteger as oportunidades educacionais durante a pandemia.

O objetivo deste documento é apoiar esse processo de troca de conhecimentos. Este documento contém um roteiro para orientar o desenvolvimento de estratégias de educação específicas do contexto, baseadas nos resultados de uma rápida avaliação realizada entre 18 de março e 27 de março de 2020. Os participantes responderam a um questionário online sobre os desafios educacionais criados pela Pandemia, suas reações a esses desafios e os recursos que estão sendo utilizados atualmente para promover a educação por meios alternativos. A pesquisa que desenhamos para este fim é apresentada no Anexo A. A pesquisa foi distribuída por meio de redes de educadores e influenciadores, os das redes da OCDE e da Global Education Innovation Initiative da Harvard Graduate School of Education, com auxílio de colegas de diversas organizações educacionais, como Save the ChildrenWISE, entre outras. Embora a pesquisa não represente jurisdições ou grupos de interesse, seu objetivo era incluir os respondentes que refletissem uma variedade de perspectivas e posições no setor educacional. Foi solicitado aos participantes que fornecessem informações que caracterizassem seu ponto de vista, sua posição, instituição, o país a que se referiam suas respostas e o nível de governo ao qual se referiam suas respostas. Eles também foram solicitados a fornecer um endereço de e-mail para contato. Somente foram consideradas as participações que contavam com respostas à maioria das perguntas e cujos pontos de vista foram caracterizados.

Abaixo oferecemos um checklist para orientar o desenvolvimento de uma estratégia de educação durante a Pandemia. Ela pode ser utilizada por autoridades educacionais nacionais, estaduais ou locais ou por líderes de redes de educação. Em países onde as organizações internacionais de desenvolvimento fazem parcerias com governos para apoiar o desenvolvimento educacional, elas podem assumir o papel de auxiliar no desenvolvimento da resposta educacional.

Um checklist para uma resposta educacional à Pandemia da COVID-19

1. Estabelecer uma força-tarefa ou comitê gestor que terá a responsabilidade de desenvolver e implementar a resposta educacional à Pandemia da COVID-19. Na medida do possível, garantir que os integrantes da força-tarefa representem diferentes componentes do sistema educacional ou da rede escolar e que tragam perspectivas importantes e diversificadas para subsidiar seu trabalho, por exemplo: currículo de várias áreas, formação de professores, tecnologia da informação, representantes dos professores, representantes dos pais, alunos, e representantes da indústria, quando relevante.

Além de pessoas é muito importante adotar metodologias de trabalho adequado como OKR, Squads, e gestão ágil de projetos como SCRUM.

2. Desenvolver um cronograma e meios para uma comunicação frequente e regular entre os membros da força-tarefa, durante o período em que o distanciamento social estará em vigor.

Usar ferramentas colaborativas e visuais como o Trello.

3. Definir os princípios que irão orientar a estratégia. Por exemplo: proteger a saúde dos alunos e dos profissionais, garantir o aprendizado acadêmico e dar apoio emocional aos alunos e ao corpo docente. Estes princípios fornecerão foco para as iniciativas a serem realizadas e ajudarão a priorizar o tempo e outros recursos limitados.

Objectives Key Resources — OKR bem definidos

4. Estabelecer mecanismos de coordenação com as autoridades de saúde pública para que as ações de educação estejam em sintonia e ajudem a avançar os objetivos e estratégias de saúde pública, por exemplo: educando alunos, pais, professores e funcionários sobre a necessidade de distanciamento social.

A comunicação em todos os níveis será de fundamental importância.

5. Repriorizar objetivos curriculares, dada a realidade de que a forma usual de desenvolvimento destes objetivos será interrompida. Definir o que deve ser aprendido durante o período de distanciamento social.

Eliminar o trivial e focar no essencial do currículo.

6. Identificar a viabilidade de buscar opções para recuperar o tempo de aprendizado depois que o período de distanciamento social terminar, por exemplo, um período de revisão intensivo durante o intervalo anterior ao início do novo ano letivo.

7. Identificar os meios de ensino. Quando viável, estes devem incluir a aprendizagem online, pois ela proporciona a maior versatilidade e oportunidade de interação. Se nem todos os alunos possuem dispositivos e conectividade, busque formas de fornecê-los a esses alunos. Explorar parcerias com o setor privado e a comunidade para garantir os recursos necessários para fornecer esses dispositivos e conectividade.

Muito cuidado com os registros dos atos escolares para poder pleitear a equivalência das aulas remotas em dias letivos do calendário letivo de 2020 perante os conselhos estaduais de educação.

8. Definir claramente os papéis e expectativas dos professores para orientar e apoiar eficazmente a aprendizagem dos alunos na nova situação, através de instrução direta sempre que possível ou orientação para a aprendizagem autodirigida.

Recomendação clara para atividades assíncronas para os alunos.

9. Criar um site para comunicação com professores, alunos e pais sobre objetivos curriculares, estratégias e sugestões de atividades e recursos adicionais.

Facilitar e simplificar a comunicação escola, pais e alunos

10. Se uma estratégia de educação online não for viável, desenvolver meios alternativos de ensino, eles poderiam incluir programas de TV, se uma parceria com emissoras de televisão for viável, podcasts, transmissões de rádio e pacotes de aprendizagem, seja em formato digital ou em papel. Explorar parcerias com organizações comunitárias e com o setor privado para a veiculação desses programas.

No Brasil, até a presente data, os sistemas estaduais de educação do Paraná, São Paulo e Amazonas optaram por aulas transmitidas pela TV.

11. Assegurar apoio adequado aos estudantes e famílias mais vulneráveis durante a implementação do plano de educação alternativa.

12. Melhorar a comunicação e colaboração entre os alunos para promover a aprendizagem mútua e o bem-estar.

13. Criar um mecanismo de formação continuada emergencial para que professores e pais possam apoiar os alunos na nova modalidade de ensino. Criar modalidades que fomentem a colaboração entre professores e comunidades profissionais e que aumentem a autonomia dos professores.

Focar a capacitação docente no mínimo necessário para garantir o processo de ensino aprendizagem. Não é hora de usar diversos recursos, e sim fazer o simples que funciona.

14. Definir mecanismos apropriados de avaliação dos alunos durante a emergência.

Avaliação não é só provas. Pode ser portfólio de trabalhos e diversas outras formas. Use rubricas para avaliação.

15. Definir mecanismos adequados de aprovação e conclusão.

16. Se necessário, revisar o marco regulatório de forma a viabilizar a educação online e outras modalidades, e de forma a apoiar a autonomia e colaboração dos professores. Isso inclui a validação de dia letivo para dias lecionados em planos alternativos de educação.

Conheça e estudo as Resoluções dos Conselhos Estaduais de Educação do seu estado.

17. Cada escola deve desenvolver um plano de continuidade de operações. Como forma de apoiá-las, as autoridades educacionais podem fornecer exemplos via curadoria de planos de outras escolas.

18. Quando a escola fornece refeições aos alunos, desenvolva meios alternativos de distribuição de alimentos para os alunos e suas famílias.

19. Quando a escola oferece outros serviços sociais, tais como apoio à saúde mental, desenvolva formas alternativas de atendimento.

20. As escolas devem desenvolver um sistema de comunicação com cada aluno, e uma forma de checagem diária com cada aluno. Talvez na forma de textos dos professores, se os pais tiverem acesso a celulares.

Tenho insistido em comunicação via Whatsapp por meio de grupos ou listas de transmissão única por turma, e não por disciplina ou professores.

21. As escolas devem desenvolver mecanismos de checagem diária com professores e funcionários da escola.

Na metodologia SCRUM as Daily cumprem esse papel.

22. As escolas devem fornecer orientação aos alunos e famílias sobre o uso seguro do tempo de tela e ferramentas online para preservar o bem-estar e a saúde mental dos alunos, bem como oferecer proteção contra ameaças online a menores.

23. Identificar outras redes ou sistemas escolares e criar formas de comunicação regular com eles para compartilhar informações sobre suas necessidades e abordagens para resolvê-las, e aprender com eles como forma de promover uma rápida melhoria na oferta de educação nas novas modalidades.

24. Assegurar que os líderes escolares recebam o apoio financeiro, logístico e moral necessário para o sucesso.

25. Desenvolver um plano de comunicação. Mapear os principais constituintes e mensagens chave para apoiar a execução da estratégia de educação durante a emergência, e garantir que estes sejam efetivamente comunicados através de vários canais.

No entanto a comunicação pedagógica deve ser centralizada em um único canal de comunicação, simples e acessível a todos os alunos e/ou pais, como sites públicos e grupos de Whatsapp muito popular no Brasil.

Recomendações

  1. Os líderes educacionais devem adotar uma abordagem proativa para contribuir para a mitigação do impacto da Pandemia e para prevenir a perda de aprendizagem durante o período de distanciamento social necessário. Eles também devem contribuir para a criação de oportunidades para ajudar a requalificar os deslocados de seus empregos pela Pandemia e facilitar sua reintegração ao mercado de trabalho. Para executar esses objetivos, as secretarias de educação se beneficiariam do estabelecimento de um grupo de liderança ágil ou comitê gestor encarregado de supervisionar a resposta educacional à Pandemia, desenvolver uma estratégia com planos claros de implementação, monitorar a implementação da estratégia e, quando possível, envolver-se com grupos semelhantes em outros sistemas educacionais para acessar informações sobre esforços semelhantes em andamento e seus resultados, e acelerar, assim, a aprendizagem e melhoria contínua de sua estratégia. Como uma pandemia é um desafio adaptativo por excelência, é necessário criar oportunidades de aprendizagem rápida e de melhoria contínua. Além disso, para enfrentar este desafio adaptativo, a colaboração será essencial, todos precisarão se aperfeiçoar, sair da zona de conforto, a fim de realizar o trabalho de educar os alunos. Talvez seja aconselhável estruturar o trabalho desta força-tarefa em dois horizontes temporais diferentes. O primeiro, o mais imediato, focado na conclusão do ano letivo em curso. O segundo, voltado para o ano letivo seguinte, caso não tenha sido desenvolvida uma vacina antes de seu início e medidas de distância social continuem sendo necessárias. Estes diferentes prazos também devem influenciar as diversas opções a serem implantadas. Por exemplo, a curto prazo, nos países ou sistemas escolares que ainda não possuem uma infraestrutura existente para apoiar a aprendizagem online e o acesso universal aos dispositivos, é improvável que a educação online possa ser implantada para oferecer educação. Outras modalidades serão necessárias, de menor custo e relativa facilidade de implementação, como a educação via rádio ou a televisão educativa. A médio prazo, no entanto, é possível fornecer a infraestrutura para o aprendizado online, um investimento que provavelmente terá benefícios que vão muito além da situação atual.

O desafio adaptativo, a colaboração será essencial, todos precisarão se aperfeiçoar, aprender rápido enquanto experimenta novas abordagens didáticas e pedagógicas, a fim de realizar o trabalho de educar os alunos.

2. Uma resposta eficaz em saúde pública requer o apoio de instituições de ensino. Os sistemas educacionais devem estar trabalhando em coordenação com as autoridades de saúde pública para educar alunos, pais, professores e o público em geral sobre a necessidade de intervenções não-farmacêuticas, como o distanciamento social para conter a velocidade do contágio.

As escolas devem antes de tudo, respeitar as decisões das autoridades de saúde públicas em prol do coletivo.

3. Uma estratégia educacional deve evitar perdas de aprendizagem resultantes de intervenções não-farmacêuticas para mitigar o impacto da Pandemia, que provavelmente será considerável, equivalente a um mínimo de dois meses de aprendizagem acadêmica e potencialmente mais. Deve-se reconhecer, entretanto, que as circunstâncias extraordinárias, sob as quais qualquer provável modalidade alternativa de educação poderia continuar durante a Pandemia, tornam virtualmente impossível para os sistemas e instituições alcançarem os mesmos objetivos. Isto exige a reorientação das metas curriculares e a definição do que deve ser aprendido durante o período de distanciamento social. Para isso, cada escola deve ter um plano para garantir a continuidade das operações durante a Pandemia. As escolas poderiam ser apoiadas no desenvolvimento desses planos de continuidade, fazendo curadoria e dando acesso a planos semelhantes desenvolvidos por outras escolas. Por exemplo, uma escola em Atherton, Califórnia, explica como eles se basearam em análises comparativas para desenvolver seu plano: “Saudações do Vale do Silício”. No espírito de partilha e colaboração internacional, estamos enviando nosso Plano Flexível de Continuidade Instrucional do Sacred Heart Preparatory, Atherton. Nosso plano é o produto da colaboração com colegas em nosso campus e ao redor do mundo. Nós construímos com base em nossa própria experiência e nas experiências dos outros. Nosso plano é baseado nas melhores práticas conhecidas de instrução presencial e remota. Mas também responde a lições aprendidas com colegas de escolas internacionais e escolas ao redor do mundo que tiveram que fechar de repente por várias semanas em algum momento como resultado de uma pandemia. Somos gratos aos nossos colegas de ensino em todo o mundo que generosamente ofereceram suas ideias e experiências, especialmente a Escola Americana de Taipei em Taiwan e a Escola Internacional Concordia em Xangai.”

Será necessário uma reorientação das metas curriculares e a definição do que deve ser aprendido durante o período de distanciamento social. Para isso, cada escola deve ter um plano para garantir a continuidade das operações durante a Pandemia e colaborar umas com as outras.

4. Em segundo lugar apenas em relação ao apoio à aprendizagem, uma prioridade chave das instituições de ensino deve ser o bem-estar dos alunos e dos profissionais. A manutenção de relações sociais efetivas entre alunos e educadores contribuirá para esse objetivo. Uma pandemia prolongada, e seus múltiplos efeitos na saúde, renda e bem-estar de indivíduos e comunidades, é susceptível de sobrecarregar as reservas psicológicas de todos, incluindo alunos e professores. Educadores e líderes de sistemas educacionais devem tornar explícitos e visíveis seus objetivos para o bem-estar, e buscar estratégias que ajudem a manter o bem-estar diante de um evento global de saúde que terá um custo considerável na vida e na saúde dos indivíduos, o que pode incluir membros das comunidades em que os estudantes vivem. Como tal impacto se torna próximo a cada aluno e educador, isto pode impactar sua motivação e rotina. Por esta razão, atividades educacionais contínuas, de alguma forma, podem contribuir para o bem-estar dos estudantes durante a crise, mantendo um senso de normalidade e regularidade em uma situação de outra forma imprevisível, onde a rotina normal dos indivíduos é restrita pelas limitações de mobilidade. O desenvolvimento de habilidades, atitudes e valores propósito, resiliência e autoeficácia, deve ser explicitamente cultivado através de atividades que promovam a conexão e a afirmação. Existe uma correlação entre garantir o bem-estar e o aumento significativo do tempo de tela derivado de uma transição para o ensino à distância. Os sistemas e instituições educacionais precisam decidir o equilíbrio certo com relação a essa troca. Também será desejável sugerir explicitamente que as instituições forneçam orientação aos pais e alunos sobre o uso seguro de ferramentas online, redes sociais, televisão e vídeo games.

A continuidade das atividades educacionais, mesmo que remotamente, podem contribuir para o bem-estar dos estudantes durante a crise, mantendo um senso de normalidade e regularidade em uma situação de outra forma imprevisível, onde a rotina normal dos indivíduos é restrita pelo distanciamento social imposto.

5. É prioritário apoiar formas de organização que proporcionem aos alunos tempo para se engajar em oportunidades de aprendizagem compreensíveis e estruturadas. Quando possível, estas devem se basear em atividades online, pois fornecem a modalidade mais rica para o aprendizado interativo. Para isso, seria necessário garantir o acesso a dispositivos e conectividade para os alunos que não os possuem. Quando isso não for possível, outras modalidades como televisão, rádio, podcasts, DVDs e pacotes de aprendizagem devem ser utilizadas para a entrega de conteúdos educativos aos alunos. Este conteúdo deve ser projetado para oferecer aos alunos oportunidades de resposta e interação. Pode ser necessário ter duas estratégias diferentes para o curto e o médio prazos, caso a Pandemia não seja controlada antes do início do próximo ano letivo. A curto prazo, provavelmente não será viável criar uma infraestrutura de conectividade e fornecer dispositivos a todos os alunos em sistemas onde estes ainda não estejam disponíveis. Como resultado, pode ser necessário depender de tecnologias de menor custo, como rádio e televisão educativa. Entretanto, é imperativo investir no desenvolvimento dessa infraestrutura onde ela não existe, algo difícil de ser feito dentro do orçamento habitual da educação, mas que a resposta a essa Pandemia pode contemplar como um investimento essencial. Este investimento poderia proporcionar dispositivos para alunos e professores e conectividade para apoiar um modelo de aprendizagem online que permita a maior interação possível em tempo real entre alunos, entre alunos e professores, e com os pais, bem como a criação de redes de escolas e de comunidades de professores entre escolas.

Este conteúdo deve ser projetado para oferecer aos alunos oportunidades de resposta e interação, mesmo que em curto prazo, provavelmente não será viável criar uma infraestrutura de conectividade e fornecer dispositivos a todos os alunos em sistemas onde estes ainda não estejam disponíveis.

6. O papel dos professores é essencial para o sucesso da aprendizagem, mais ainda do que o ambiente físico das escolas ou a infraestrutura tecnológica. Quando o poder estruturante de tempo e de lugar que as escolas proporcionam se dissolve e a aprendizagem online se torna o modo dominante, o papel dos professores não diminui, muito pelo contrário. Por meio da instrução direta ou da orientação dada na aprendizagem autodirigida, em modo síncrono ou assíncrono, o professor continua sendo essencial na orientação da aprendizagem dos alunos.

O papel dos professores não diminui, muito pelo contrário. Por meio da instrução direta ou da orientação dada na aprendizagem autodirigida, em modo síncrono ou assíncrono, o professor continua sendo essencial na orientação da aprendizagem dos alunos.

7. É fundamental criar condições para que haja colaboração e aprendizagem profissional para os professores e oferecer a eles o acesso a recursos e plataformas online para colaboração (tecnologia e recursos educacionais que já passaram por curadoria) para que possam acompanhar a rápida evolução dos desafios e as respostas educacionais e sociais necessárias, e possam, assim, apoiar a aprendizagem de seus alunos em qualquer modalidade de entrega viável, idealmente a online. A construção de parcerias entre escolas e instituições de ensino superior pode ser uma forma de aumentar a capacidade dos municípios e dos sistemas escolares para proporcionar um desenvolvimento profissional adequado aos professores e aos pais.

8. É essencial criar catálogos de curadoria de recursos educacionais de alta qualidade alinhados com os referenciais curriculares e, quando um currículo está disponível em nível nacional, estadual ou local, ao currículo, como forma de facilitar o acesso a materiais de aprendizagem relevantes para alunos e professores. Quando a curadoria pelas autoridades governamentais não é viável, o crowd-sourcing, apoiado por métricas de reputação, pode servir como um substituto, incluindo sistemas de classificação que incluam a opinião dos professores sobre o a importância de diversos sites. Não é razoável esperar que os professores façam a curadoria de seus próprios recursos.

8. Em muitas jurisdições, as escolas oferecem vários serviços sociais, assim como refeições, aos alunos. Mecanismos alternativos de prestação de serviços devem ser desenvolvidos para dar continuidade à oferta desses serviços e apoios críticos. Fazer isso pode exigir a mesma flexibilidade necessária para apoiar as respostas inovadoras sugeridas neste documento. Por exemplo, ao invés de entregar refeições, que podem ser logisticamente complicadas, pode ser mais eficaz transferir fundos para famílias que utilizam o sistema bancário, que tende a funcionar de forma eficaz na maioria dos países. Todos os esforços devem ser feitos para facilitar os vínculos e a colaboração entre professores e famílias.

9. Uma estratégia de comunicação é fundamental para ajudar a manter a coerência e a colaboração, já que todo o sistema escolar foca em apoiar a educação durante a pandemia. Um elemento crítico em uma estratégia de comunicação é a comunicação com as famílias. Os meios convencionais de comunicação, mensagens de voz e folhetos, podem não ser adequados. Portanto, a equipe escolar de confiança, ou agentes que façam a ponte entre escola e famílias, pode ajudar a manter os pais informados sobre o que eles podem fazer para apoiar seus filhos, e apoiá-los para fazê-lo.

Um elemento crítico em uma estratégia de comunicação é a comunicação com as famílias.

10. Os marcos regulatórios precisam permitir às instituições de ensino a flexibilidade necessária para desenvolver respostas adaptativas à crise. Por exemplo, naquelas jurisdições onde a instrução online não é reconhecida pelas autoridades governamentais como alternativa para enfrentar a instrução, essas barreiras devem ser removidas. Da mesma forma, maior flexibilidade pode ser necessária para a organização do trabalho dos professores e para que os professores ajustem o equilíbrio entre serviços educacionais, apoio social, colaboração profissional dos professores e trabalho com as famílias. Além disso, os alunos de licenciaturas/pedagogia podem não ser capazes de completar as horas de prática estipuladas nos requisitos de licenciamento de sua jurisdição. As instituições educacionais podem precisar de maior flexibilidade para determinar como avaliar se os candidatos a professores demonstraram as competências necessárias para se formarem. Flexibilidade semelhante na resposta a este sério desafio adaptativo será exigida dos sindicatos na interpretação dos contratos de trabalho de modo a apoiar os professores no redesenho de suas práticas profissionais demandadas para que os alunos sejam educados durante a Pandemia.

É momento de empatia e flexibilização, seja dos órgãos reguladores, estágios, sindicatos, todos terão que ser compreensivos e flexíveis.

11. Uma flexibilidade semelhante com relação a fundos e regulamentos permitiria apoiar formas inovadoras de educar os alunos durante a Pandemia, talvez com valiosos efeitos potenciais a longo prazo. Por exemplo, a Pandemia atual é uma oportunidade para aumentar o envolvimento das famílias e apoiá-las na aquisição de competências para que exercer uma parentalidade mais afetiva e efetiva. Em alguns países onde haja escassez de professores, esta oportunidade poderia ser uma forma de construir um caminho para surgimento de futuros professores assistentes ou auxiliares, treinando os pais a serem educadores. Isto também mitigaria o impacto financeiro desta crise sobre as famílias de menor renda.

O distanciamento social cria uma oportunidade para aumentar o envolvimento das famílias e apoiá-las na aquisição de competências para que exercer uma parentalidade mais afetiva e efetiva e valorização do trabalho docente.

12. Devido aos impactos econômicos causados pelo distanciamento social, os desempregados necessitarão de assistência para se reintegrarem à força de trabalho, uma vez que as medidas de distanciamento forem encerradas. O período de distanciamento é uma oportunidade de proporcionar oportunidades de aprendizagem online para o desenvolvimento de habilidades para o mercado de trabalho. Os governos devem explorar parcerias com o setor privado para ampliar a disponibilidade dessas oportunidades através de modalidades online ou similares durante o período de emergência.

Como os países estão respondendo à Pandemia?

Veja no texto original com gráficos e estatísticas.

Veja a pesquisa no Arquivo em PDF — Download do PDF

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De repente a escola virou uma Startup

Uma Startup é uma instituição que opera na extrema incerteza — Eric Ries.

Cenário de Extrema Incerteza!

É exatamente isso que está acontecendo com todas as organizações, e entre elas escolas e universidades. Estamos vivendo, e ainda não sabemos por quanto tempo vamos viver, na era da incerteza.

A velha cartilha de gestão, as fórmulas prontas vendidas pelos badalados MBAs, e muitas verdades dos gurus da administração, já não servem mais para este novo tempo. Tudo que foi desenhado para ser bem sucedido no século XX, fracassará nesta nova era de incerteza.

A pandemia vai fazer a maior seleção natural da história no mundo dos negócios.

Gigantes vão sucumbir por não serem ágeis o suficiente para se adaptar aos novos tempos e responder aos novos desafios. Pequenos também vão sofrer.

A empresas serão classificadas em 3 grandes grupos, independente do seu caixa, dos seus processos atuais, e da sua participação no mercado.

Teremos empresas Frágeis, Resilientes e Antifrágeis.

As frágeis serão aquelas que não entenderam, ou não vão entender a tempo as mudanças do mundo. São hierárquicas, controladoras, micro-gerenciadas, rígidas, tradicionais demais. A figura que vai melhor descrever essa empresas são letras L seguidas de outros Ls.

As resilientes vão sofrer, vão diminuir seu tamanho, vão perder participação no mercado, receitas, mas talvez volte ao que era numa longa retomada em forma de U ou W.

E outro grupo serão as empresas Antifrágeis, aquelas que não importa o tamanho, entenderam que eventos inesperados podem acontecer, e estarão preparadas não só para atravessar essas crises e caos, mas principalmente se beneficiar deles, sair muito melhor do que entraram. Essas empresas se recuperam na forma da letra V ou mesmo J.

Felizmente as Startup já nos deram pistas de como fazer uma Gestão Antifrágil.

Startups são instituições humanas — ou seja centrada em pessoas — que se propõem a resolver um grande problema, e ao mesmo tempo criar um modelo de negócio escalável num ambiente ou contexto de extrema incerteza.

Startup de sucesso sabe exatamente que problema ela quer resolver, mas não sabe exatamente o qual ou como será a solução deste problema. Exatamente o que está acontecendo com as escolas e professores neste momento, sabem que o ensino e aprendizagem não pode parar, mas não sabem bem ao certo, ainda, como vão continuar resolvendo este problema.

Startup de sucesso sabe exatamente que problema ela quer resolver, mas não sabe exatamente o qual ou como será a solução deste problema.

Para isso startups experimentam, testam e aprendem em ciclos muito curtos, curtos o suficiente para construir um produto minimamente viável para testar com pessoas que tem o problema que a startup decidiu solucionar, e durante estes testes poder colher dados para aprenderem se devem continuar neste mesmo caminho ou se devem ajustar alguma funcionalidade da solução testada. Ou ainda, se a solução não funcionou, e precisa ser descontinuada e esquecida, ou pivotada, no jargão do setor.

Escolas e professores estão fazendo esses teste, a cada dia, a cada aula testam uma coisa nova, e estão aprendendo muito com esse processo. Aprendendo como jamais aprenderam. Inovando como jamais inovaram.

Estes testes rápidos, baratos e pequenos o suficiente para mostrar se a Startup está no caminho — ou não — para resolver o problema é o segredo das startups de sucesso. Quanto mais experimentos a Startup faz, mais ela aprende.

Da mesma forma, quanto mais as escolas experimentarem nesse momento, e estiverem atentos aos feedbacks dos pais e alunos, mais vão conseguir inovar e criar novas formas de criar valor para seus alunos. As escolas, mas principalmente os professores estão transformando a escola, reinventado a educação. E este será o grande legado dessa pandemia.

As empresas mais inovadoras do mundo fazem isso o tempo todo. Criam, testam, e aprendem, criam, testam e aprendem. Assim, a solução do problema vai sendo construído passo a passo, com muito mais previsibilidade de ter sucesso do que se a empresa entregasse uma solução pronta, acabada e padronizada aos clientes.

As empresas antifrágil entendem que agilidade, a descentralização, a colaboração, a autonomia das decisões e a transparência da comunicação dentro da empresa são as características que as tornam antifrageis.

As escolas terão o duro desafio de abrir mão da gestão centralizadora, dos processos padronizados, do micro-gerenciamento de professores e funcionários. As escolas terão que confiar mais na capacidade de adaptação dos seus professores na ponta, na iteração direta com os alunos.

As escolas terão que entender que a inteligência coletiva de um grupo de professores e funcionários comprometido é infinitamente maior que as decisões de um CEO ou Diretor, por mais genial que este seja.

Durante uma crise e cenário de caos, as escolas precisam desenvolver uma habilidade muito importante, a Adaptabilidade Ágil.

Cada caso é um caso. Cada contexto é um contexto, mas se fosse para listar em bullets points como fazer isso eu diria:

  • Crie um Squad de Transformação na sua Instituição. Squad é um grupo pequeno de pessoas T-Shape extremamente comprometidas com a escola ou instituição.
  • Defina um pequeno conjunto de grandes problemas que a instituição está passando ou vai passar no curto prazo. Defina a visão da instituição para superar esses desafios.
  • Defina Objective Key Results — OKRs para cada um desses problemas.
  • Entenda e aplique o pensamento LEAN (Ciclos iterativos e incrementais de Criar, Testar, Aprender)
  • Entenda e aplique a Matriz de 4 ações para simplificar e focar na solução de cada problema (Eliminar, Reduzir, Aumentar, e Criar atributos na operação atual)
  • Usar uma metodologia de gestão ágil de projetos, sugiro o SCRUM ou adaptações, basicamente uma reunião com o Squad no início da semana para definirem o que vão atacar durante a semana de forma coordenada, reuniões rápidas todos os dias para acompanhar a evolução de cada pessoa, e uma reunião no fim da semana de revisão e apresentação de avanços e aprendizagem daquela semana.
  • Usar uma ferramenta colaborativa e visual, como um quadro Kambam, para que todos na instituição saibam que cada um está fazendo, e o objetivo que todos estão perseguindo.

O micro-gerenciamento deve dar lugar a autonomia. A decisão top-down deve dar lugar a colaboração (menos eu, mais nós), a centralização deve ceder espaço a descentralização. Os segredos o controle das informações devem dar espaço a transparência e verdade.

É tempo de desapegar de velhos hábitos, das velhas verdades, da crenças antigas, para transformar profundamente a maneira de fazer gestão de escolas e instituições nesta era de incerteza.

Diante do novo, tomos somos aprendizes.

Por outro lado, há um ditado que diz: Junte gente boa que sai coisa boa.

E aqui queremos te fazer um convite. Queremos te convidar a fazer parte do nosso grupo Gestão Antifrágil focado em gestores escolares e líderes educacionais.

Neste programa online e ao vivo, totalmente participativo, interativo e colaborativo você aprenderá conceitos e ferramentas para fazer uma gestão antifrágil da sua escola ou IES.

Não temos todas as respostas. Mas confiamos na colaboração e na inteligência coletiva.

Serão 4 encontros online e ao vivo, de auto-desenvolvimento, que capacitará você e sua equipe para atravessar esse momento de crise de mãos dadas com outros gestores e com profissionais especializados em inovação e que usam gestão ágil no seu dia a dia.

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Errar pode ser bom! Se o erro for rápido, pequeno e barato.

Imagine as cenas enquanto lê esse texto.

Numa pequena cidade da Itália, um pequeno restaurante era famoso pelo seu Macarrão a Carbonara. Turistas do mundo todo visitavam esta cidade para almoçar no restaurante do chef Gino. Gino era da terceira geração de chefs e aprendeu a fazer o molho a la carbonara com sua avó e aperfeiçoou o ritual da receita com seu pai, e repete exatamente a mesma receita a décadas.

A receita era muito simples. Os ingredientes eram macarrão cozido, 5 ovos, bastante bacon e queijo parmesão ralado. Os fornecedores eram produtores locais bastantes conhecidos. A receita estava dominada e não tinha erro. Sempre ficava muito boa. Como diziam os clientes: — este prato é de comer rezando!

Mas…

Toda história tem um “mas”.

Um certo dia o governo proibiu todos de saírem de casa. Os fornecedores não entregaram os ingredientes que Gino estava acostumado. Os turistas não visitavam mais a cidade. No entanto, o governo encomendou duzentas refeições para seus funcionários que estavam trabalhando na cidade. De uma hora para outra Gino teve que comprar os ovos, bacon e queijo que estavam disponíveis, de fornecedores e procedência que ele não conhecia, para atender esse importante pedido do governo. E assim o fez.

Mas para Gino estava tudo bem. Porque ovo é ovo, bacon é bacon, e queijo é queijo. E isso era tudo que ele precisava para continuar a fazer seu famoso macarrão a la carbonara. Seguiu a receita como sempre fez, igualzinho aprendeu com sua avó e seu pai. Seguiu o ritual da receita para entregar as duzentas refeições daquele dia.

Cozinhou o macarrão, bateu levemente os ovos com o queijo ralado até formar uma mistura cremosa, fritou o bacon em quadradinhos pequenos e quando estavam bem fritinhos, juntou o creme de ovo e queijo com o bacon ainda fritando na sua gordura bem quente. Este era o segredo da receita! Era o óleo quente do bacon que cozinhava o ovo e derretia o queijo no ponto certo para formar o apreciado molho a la carbonara que dava fama ao seu restaurante.

Você deve estar até sentindo o cheirinho de bacon frito, não está?

Gino fez tudo certo. Fez como sempre fez. Seguiu exatamente o ritual da receita que sempre deu certo, a décadas, mas, desta vez algo deu muito errado.

O que deu errado? Qual foi o erro do Gino?

O prato ficou extremamente salgado. Não dava para comer.

O erro do Gino foi confiar no que sempre deu certo, e fazer a mesma coisa que sempre fez, justamente porque sempre deu certo.

O que Gino não percebeu foi que os ingredientes mudaram, não os ingredientes em si, mas a qualidade deles. Talvez os ovos que Gino conseguiu comprar não eram exatamente iguais aos ovos do seu fornecedor habitual. O bacon era muito mais salgado e para piorar, o queijo também estava muito salgado.

Gino que confiava na sua receita tão dominada, não se atentou para esses detalhes. E são justamente esse detalhes que podem arruinar seu restaurante, sua imagem e reputação.

E o que podemos aprender com a história do Gino?

Em tempos de incerteza, todos somos novatos. Mesmo os mais experientes!

Em tempos de incertezas, não dá para continuar a fazer o que sempre fizemos. É muito arriscado.

Em tempos de incerteza temos que aprender a errar rápido, pequeno e barato.

Gino estava na sua zona de conforto. Foi arrogante e ingênuo ao confiar cegamente na sua receita que sempre deu certo. E este é o mesmo erro que muitos donos de negócios estão cometendo neste exato momento de pandemia por Coronavirus.

E se Gino tivesse experimentado o bacon e o queijo antes de fazer a receita para duzentas pessoas? Talvez ele teria tempo de corrigir o sal, ou arrumar outra solução, como mudar a receita, incluir outros ingredientes ou usar menos bacon e queijo. O prejuízo financeiro seria bem menor, ao invés de gastar todos os ingredientes poderia experimentar combinações e proporções novas. Mas principalmente não correria o risco de manchar sua imagem e reputação.

E mesmo se Gino não tivesse experimentado cada ingrediente separadamente, mas tivesse feito apenas um ou dois pratos seguindo sua receita original. Certamente Gino perceberia que havia algo errado e teria perdido tempo, ovos, bacon e queijo para apenas dois pratos, um por cento do total. Estaria errando rápido, pequeno e barato.

Errar rápido, pequeno e barato, e aprender a cada ciclo desses tem nome. É chamado de pensamento LEAN ou pensamento enxuto. O LEAN tem como objetivos:

  • Melhorar processos e modelos continuamente e incrementalmente,
  • Executar processos de forma mais eficiente possível,
  • Evitar desperdício a qualquer custo,
  • Solucionar problemas de forma sistemática.

LEAN é uma maneira de pensar, é um comportamento que extrapola ferramentas e metodologias. Ter um comportamento LEAN é uma vantagem competitiva quase que injusta em qualquer cenário, mas em cenário de crise ou incertezas, adotar o LEAN é crucial à sobrevivência, manutenção e até mesmo ao crescimento de qualquer negócio.

A velha cartilha da gestão de negócios que dizia que você deveria fazer um plano de negócios para cinco anos e ser fiel a ele não serve mais. Em cenário de incerteza, as regras mudam a todo momento. O que sempre funcionou, talvez não funcionará mais.

O gestor terá que ter a humildade de aceitar que não sabe mais o que fazer, que já não tem mais todas as respostas. Que a experiência pode ter se tornado irrelevante neste momento de incerteza.

O gestor terá que pedir ajuda ao seu time abrindo mão do controle e centralização. Terá que permitir e estimular um ambiente descentralizado e com mais autonomia. Neste momento, a colaboração e a transparência serão os ingredientes que manterão seu time e seu negócio relevante. Quem sabe vocês, todos juntos, conseguirão tornar sua empresa um negócio antifrágil, que segundo Nassim Taleb, são empresas que se beneficiam num cenário de caos, e se tornam melhores, mais ágeis, mais inovadoras e lucrativas após, ou mesmo durante, as crises.

Eu realmente recomendo que você pare. Permita-se fazer um prato de macarrão a la carbonara e enquanto isso, pense em conhecer melhor o pensamento LEAN, métodos ágeis como SCRUM e a teoria da antifragilidade de Taleb.

Ahh… mas experimente cada ingrediente antes de usá-los.

Permita-se experimentar coisas novas. Aprenda com cada experimento, corrija-o e experimente de novo. Desta forma o próximo produto, serviço, processo — ou mesmo prato de macarrão a la carbonara — sempre será melhor que o anterior, e pior que o próximo.

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Paulo Tomazinho é doutor em educação, especialista em aprendizagem e tecnologia educacionais. Mentor e Palestrante nas áreas de Inovação, Transformação Digital e Métodos Ágeis.

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Como utilizar o Google Formulários para aulas remotas

Quer saber um jeito simples de registrar os atos escolares remotos para validar os dias letivos e não correr o risco de trabalhar agora e ainda ter que repor as aulas em dezembro, janeiro e fevereiro de 2021?

É simples! Use o Google Formulário.

As Resoluções dos Conselhos Estaduais de Educação (CEE) para esse tema têm pedido, minimamente:

1. Identificação do aluno.

2. Registro do conteúdo.

3. Evidência de cumprimento das atividades propostas.

(Consulte a Resolução do CEE do seu estado.)

Por isso, utilizar o Google Formulário é uma boa opção. Você terá todos esses registros. Confira como fazer:

=>  Lembrando que é interessante utilizar UM formulário por aula. Para atender a maioria das resoluções e conseguir validar suas aulas remotas.

1. No título: a data e o tema da aula.

2. Na descrição: explique os objetivos, metodologia, liste os conteúdos (como no plano de ensino) e avaliação.

3. No corpo do Formulário:

– Identificação. Uma pergunta para o nome, outras para o número da turma, RA.  (O que mais achar necessário).

– Conteúdo: insira vídeo, texto, áudio, links, etc. A ideia é que tudo fique centralizado em um único formulário. Assim o professor, escola ou IES podem enviar apenas um link por aula aos alunos (o link do Google Forms), o que facilita e simplifica muito a comunicação.

– Evidência de cumprimento das atividades

  • Questões de múltipla escolha. Cinco a dez questões objetivas. Dica: já ative a correção automática (Modo Teste do Google Forms). Assim, seu aluno terá um feedback imediato, logo após enviar suas respostas. Feedback imediato é fundamental para aprendizagem.
  • Perguntas abertas. Pode pedir para o aluno fazer um resumo, dar sua opinião, defender seu ponto de vista, justificar ou mesmo descrever seus sentimentos. A ideia, aqui, é ser algo autoral e individual.

4. Registro: quando o aluno clica em “Enviar”, o Google Forms cria automaticamente uma Google Planilha associada a este Formulário. Logo no primeiro campo da planilha é registrado a exata data e hora (carimbo de data e hora do servidor). Ao clicar em “Enviar”, na sequência, aparece a pontuação do aluno, nome e perguntas de identificação, e as respostas para cada pergunta. Tudo registrado, um aluno por linha.

5. Relatório de aula: professor deve entrar nessa planilha, clicar em “Arquivo” depois em “Imprimir”.

6. Enviar esse relatório de aula para o coordenador.

Essa é a forma mais fácil, rápida e segura de atender os requisitos para revalidação ou equivalência das atividades realizadas fora da escola, em dias letivos no Ano Letivo 2020.

Prof. Paulo Tomazinho

Doutor em Educação. Especialista em aprendizagem e tecnologias educacionais.

Google Certified Innovator

www.tomazinho.com.br

Veja também: https://tomazinho.com.br/lockdown-covid-19-a-aprendizagem-nao-pode-parar/

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Lockdown COVID-19 A Aprendizagem Não Pode Parar

UM PLANO SIMPLES PARA GARANTIR AS ATIVIDADES DIDÁTICAS E VALIDAR OS DIAS LETIVOS DURANTE O LOCKDOWN DA PANDEMIA DO COVID-19

Caro professor,

Este definitivamente não é um texto de dicas superficiais. É uma reflexão necessária para o momento!

Estamos passando por um momento histórico, um momento de incertezas!

Suas decisões como professor – e principalmente como gestor – definirão como você, sua escola ou IES vão atravessar esta crise, e sua imagem frente aos alunos e/ou pais.

E não estou exagerando.

INCERTEZA. Esta é a palavra que impera neste momento.

O Futuro é Incerto!

Frente a essa incerteza. Economistas, médicos, pensadores, políticos, gestores criam cenários de um futuro possível.

Os cenários são imagens alternativas e possíveis de futuro que ajudam líderes e gestores a tomar decisões.

Cenários são ferramentas poderosas para melhorar o processo de planejamento estratégico de uma organização, ao explorar um conjunto de situações “e se isso acontecer…“.

Como a pandemia do vírus SARS-CoV2 que causa a doença COVID-19 ainda é muito nova, autoridades sanitárias de todo o mundo estão alertas sobre a etiopatogenia da doença.

Epidemiologistas estão debruçados em dados para compreender a virulência e disseminação em diferentes populações.

Economistas estão estressando suas planilhas e estatísticas para tentar projetar cenários econômicos, e seus impactos em empregos, mercados e ativos.

Todos estão aprendendo enquanto a pandemia está em curso.

A única certeza, por enquanto é a incerteza…

Políticos, cientistas, médicos e economistas discutem freneticamente sobre o que é melhor para frear a disseminação da doença sem que ocorra a bancarrota da econômica.

Lockdown Horizontal ou Lockdown Vertical

Um pouco mais previsíveis são as consequências econômicas e sociais dos dois cenários. Mas incerto é o comportamento do vírus e da doença.

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

Direito de Imagem: https://www.sinobiological.com/research/virus/coronavirus-replication Acessado 18 de março de 2020.

Muito incerto é a biologia do vírus.

Coronavírus é um vírus simples de RNA+, um dos tipos virais que mais sofrem mutações durante sua replicação e multiplicação no interior das células do hospedeiro.

Isso tanto é verdade que geneticamente o SARS-CoV2 tem 96% de semelhança a um Coronavírus que só infecta morcegos na China.

Uma pequena mutação mudou a virulência desse vírus e agora ele consegue infectar células humanas.

Com uma transmissão logarítmica, e bilhões ou trilhões de partículas virais sendo montadas pela maquinaria genética das células humanas, a probabilidade de uma nova mutação é uma possibilidade real.

Quais seriam as consequências de uma nova mutação?

De novo, impossível de prever o futuro.

Mas considerando cenários possíveis, imagine se o SARS-CoV2 com capacidade de infectar células humanas, e com a virulência de transmissão na velocidade logarítimica que esse vírus já tem, sofra uma nova mutação e aumente sua virulência, aumente sua letalidade…

Lembra dos cenários? “E se isso acontecer…

Um Coronavírus altamente transmissível e com alta taxa de letalidade traria consequências inimagináveis.

Nem mesmo um diretor de filmes de ficção poderia descrever. Um vírus como Coronavírus, com a capacidade de transmissão que ele já tem, um aumento de virulência seria um desastre para a raça humana…

Sim. É uma possibilidade, e portanto um cenário possível de futuro.

Agora voltamos a educação…

Entre professores e gestores existem duas categorias de crenças que determinam suas decisões, práticas e estratégias.

Uma crença que a internet é ilimitada.

Outra crença é que a internet é limitada

Infelizmente vejo anúncios, que beiram a autopromoção e marketing, de escolas e IES anunciando aos pais e alunos que eles não serão prejudicados porque a escola tem utilizado a tecnologia x ou y para ministrar aulas online e ao vivo.

Ok! Talvez essa estratégia até faça sentido para alguns em alguns momentos, mas não para todos a todo momento.

Por uma razão muito simples… nossa infraestrutura de transmissão de dados é limitada. Muito grande é verdade, mas limitada.

E isso é um grande problema!

Respire fundo, e olhe ao seu redor.

É muito provável que você mesmo, alguém da sua família ou conhecidos, tem utilizado parte do tempo do isolamento social recomendado pela Organização Mundial da Saúde – OMS, para ficar em casa consumindo Maratonas de Séries no Netflix, que são tecnicamente streaming de vídeo em alta qualidade que consome muita banda de internet.

Provavelmente seus filhos ou tantas outras crianças e adolescentes, nunca jogaram tantas horas seguidas de videogames multiplayer de altíssima qualidade, e ao vivo, de forma síncrona, que também consomem muitos dados de internet.

Também um exército de trabalhadores e empregados que agora em home office forçado ficam praticamente o dia todo conectados a internet, com videochamadaswebinars ao Vivo,lives, e advinha, consumindo picos de internet.

E ainda um contingente inteiro, em escala mundial, de estudantes e trabalhadores que em casa, utilizam de forma praticamente constante WhatsAppInstagram e outras redes sociais.

É fácil provar essa tese. Basta você mesmo ver quantas mensagens repetidas você recebe por hora nos grupos que faz parte…

Frente a essa evidência, a crença que internet é ilimitada, mesmo que você individualmente ou como empresa, pague por isso, é falsa.

E aqui eu faço um Alerta e um Apelo.

O Alerta é para ter cuidado!

Cuidado para não apostar muito alto numa estratégia de ensino digital síncrona, ou seja, videochamadas ao vivo entre professores e a turma, webinar ao vivo, lives, etc.

Porque a tese de que a internet é limitada, ou venha a ser limitada, impacta diretamente e negativamente na sua estratégia e pode prejudicar muito a imagem da sua escola ou IES, o trabalho dos seus professores, mas principalmente a experiência de aprendizagem dos seus alunos.

O Apelo é para conscientizar seus professores, pais e alunos!

Aulas online, não têm, ou não deveriam ter a mesma lógica das aulas presencias.

Uma aula presencial de 50 minutos, não deveria ser uma videoaula de 50 minutos, muito menos uma live de 50 minutos.

Uma atividade didática de 50 minutos, deveria ser muito mais completa e rica que 50 minutos de transmissão de conteúdo.

Uma atividade didática de 50 minutos, deveria ser focada na aprendizagem dos alunos, e não somente no ensino pelo professor.

Defendo a ideia que ensino nem sempre significa aprendizagem.

No meu ponto de vista – e você tem todo o direito de não concordar com ele – é que uma atividade didática deveria ter um momento de acolhimento dos alunos, um momento de nivelamento e transmissão da informação, um momento para o aluno praticar e se testar, e ainda se possível discutir com seus pares. E essa atividade didática deveria ser fechada, fornecendo feedback imediato ao alunos. E ainda, registrar tudo isso.

Para isso, e frente a um cenário de incerteza que estamos vivendo, e frente a todos os desafios da educação, faço uma sugestão, quase um apelo aos professores e gestores.

Lógico que é você quem decide se vai fazer sentido para você ou não. A decisão é sua…

Eu sugiro que professores apostem em atividades assíncronas.

Atividades Assíncronas são aquelas que não acontecem simultaneamente. São atividades desconectadas do momento real, atual ou presente. São links, vídeos gravados, documentos, apresentações, que os alunos podem abrir e consumir a qualquer momento.

Sugerimos Atividade Assíncronas por diversas razões:

1 – Achata os picos de consumo de dados durante o período escolar, sobretudo entre 8h e 12h na Educação Básica, e 19h e 22h no Ensino Superior.

2 – Num cenário de Lockdown, pais estão possivelmente trabalhando em casa, e ao mesmo tempo cuidando dos filhos. Numa atividade síncrona, como videochamada entre professores e alunos, as famílias vão ter mais equipamentos conectados simultaneamente na internet, isso divide a banda de internet da família, e no caso de filhos pequenos requer 100% da atenção e do tempo de um dos pais para acompanhar a atividade proposta pela escola.

3- Já no mesmo cenário de Lockdown, mas com atividades assíncronas, a família terá flexibilidade para decidir o melhor momento para cada um usar os devices conectados a internet, otimizando assim a banda da rede, além de distribuir da forma mais adequada o tempo destinado ao trabalho e ao estudo.

4 – Atividades assíncronas conseguem atingir mais pessoas, justamente por ficarem disponíveis por um intervalo maior de tempo.

Resumindo, atividades assíncronas permitem uma melhor gestão de tempo e recurso. É mais inclusiva e menos arriscada, portanto bastante adequada para ser utilizada como protagonista das atividades didáticas em tempo de Lockdown, mas também a qualquer momento

A APRENDIZAGEM NÃO PODE PARAR

SUGESTÃO DE UM PLANO SIMPLES PARA GARANTIR AS ATIVIDADES DIDÁTICAS E VALIDAR OS DIAS LETIVOS DURANTE O LOCKDOWN DA PANDEMIA DO COVID-19

Minha sugestão é:

Criar uma Estratégia Didática Assíncrona.

  1. Usar um canal de comunicação único entre escola e alunos (e/ou responsáveis)
  2. Utilizar vídeos gravados (e não ao vivo) para transmitir o conteúdo de aula.
  3. Utilizar Google Formulário como plataforma didática
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Veja os detalhes do Plano que chamei de “A APRENDIZAGEM NÃO PODE PARAR”.

Vamos lá…

1- Usar um canal de comunicação único entre escola e alunos (ou responsáveis)

Muitas escolas têm utilizado diversas plataformas para comunicação com os pais. E-mails, mensagens de texto, aplicativos próprios, plataformas de gestão de aprendizagem – LMS, ambientes virtuais de aprendizagem – AVAs, e também diversas redes sociais.

A lógica que impera é… utilizando várias, alguma deve atingir os alunos, pais ou responsáveis.

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Mas em cenário de crise, no qual a atenção das pessoas está dividida com tantos outros acontecimentos no mundo, essa estratégia, ao meu ver – lembre-se que você sempre poderá discordar, e está tudo bem quanto a isso – não é a mais adequada.

Concentrar todos as comunicações num único canal de comunicação, simples, acessível e confiável é a melhor prática a ser feita nesses casos.

Minha sugestão é utilizar o WhatsApp.

Calma. Antes de criticar, permita que ao menos eu desenvolva meus argumentos…

Razões para usar WhatsApp como Único Canal de Comunicação entre Escolas/IES e Alunos/Responsáveis.

1 – É o aplicativo de mensagem mais popular do Brasil, com mais de 120 milhões de usuários. Significa que todos têm e sabem usar.

2 – É confiável quanto a infraestrutura, estabilidade e disponibilidade. Em outras palavras, não cai.

3 – Pode ser utilizado como Grupos e Listas de Transmissão para até 256 pessoas, incluindo administradores. Cabe a turma, pais e todos professores da turma.

4 – Mensagens com envios imediatos e retorno centralizado das informações. Rápido, Fácil e Efetivo.

5 – É de graça. Não precisa queimar caixa.

A seguir sugerimos algumas Boas Práticas para usar WhatsApp como Único Canal de Comunicação entre Escolas/IES e Alunos/Responsáveis.

1 – Crie uma rotina de comunicação. Seja diária, algumas vezes na semana, ou semanal. Envie as mensagens sempre na mesma hora. Isso facilita a gestão da informação pelos alunos ou responsáveis.

2 – Crie um grupo para cada turma e coloque todos os professores desta turma como administradores desse grupo. Evite o erro de cada professor criar seu grupo. Isso prejudica o aluno devido a pulverização da informação. Um grupo único por turma, garante um fluxo de comunicação constante e diário, mantendo o grupo no foco de atenção dos alunos.

3 – Evite mandar vídeos de conteúdo de aula, ou arquivos ou textos de atividade direto no WhatsApp. Coloque tudo num Google formulário (continue lendo para entender o porquê.)

4 – A cada aula, crie e publique um Google Formulário e envie o link pelo WhatsApp. O Formulário deve conter o tema e título da aula, identificação do aluno, o conteúdo propriamente dito (vídeo, textos, links de arquivos ou páginas na internet), e um questionário para evidenciar a atividade dos alunos. (Vou detalhar tudo isso mais pra frente.)

5 – Evite discussões não relacionadas a área pedagógica neste grupo. Direcione para um outro grupo as dúvidas não pedagógicas, como pagamentos, volta as aulas, questões administrativas e legais.

6 – Mantenha o foco pedagógico. Obviamente, não utilize esse grupo para compartilhar visões políticas, econômicas, e mercadológicas.

2- Utilizar vídeos gravados (e não ao vivo) para transmitir o conteúdo das aulas.

Utilize o Youtube como plataforma de distribuição de conteúdo em vídeo. O professor pode utilizar seu próprio celular com o aplicativo do YouTube para gravar e publicar vídeos próprios e videoaulas de forma “Não listada” no seu canal.

O YouTube é a maior plataforma de vídeo do mundo, pertence ao Google e por isso mesmo garante a estabilidade e funcionamento do serviço. Publicar e consumir vídeos no YouTube de forma síncrona é uma forma fácil, útil e segura de disponibilizar conteúdo educacional aos alunos durante o período de Lockdown.

Recomendações para gravar vídeos.

1 – Utilize uma conta G Suite for Education (se sua escola tem convênio com a Google for Education), ou o seu próprio Gmail, ou ainda crie um novo Gmail só para isso.

2 – Publique seus vídeos como “Não listados” caso não queira que seus vídeos fiquem públicos e encontráveis na pesquisa do YouTube. Vídeos publicados como “Não Listados” somente são visualizados por quem tem acesso ao link.

3 – Crie vídeos curtos. Elimine todo o conteúdo trivial e complementar da sua aula, e foque no essencial. O mínimo que seus alunos deveriam saber sobre o conteúdo da aula. As outras informações trabalhe em forma de leitura ou outras atividades.

4 – Você pode usar seu celular para gravar sua mão escrevendo ou resolvendo equações matemáticas sobre uma folha de sulfite como se fosse um quadro branco, ou ainda gravar a tela do seu computador, com slides ou demonstrações de softwares. No entanto utilizar um software específico é melhor, sugiro o Screencastify (Utilize o código CAST_COVID para liberar funcionalidades premium de graça)

3 – Utilizar Google Formulário como Plataforma Didática

Esta é a sessão mais importante desse documento. Leia com atenção para você entender o porquê.

Razões para usar o Google Formulário como Plataforma de Aprendizagem durante o Lockdown

1 – Tudo num só Link – Um formulário para cada aula.

O Google Formulário é uma ferramenta gratuita que compõe o pacote de soluções educacionais da G Suite, ou seja, está disponível em qualquer conta Gmail. Basta logar no seu Gmail e depois digitar na aba do navegador forms.google.com. No Google Forms é possível criar questionários com diversos tipos de perguntas, mas também, é possível incluir vídeos, texto e links.

Minha sugestão é criar um Google Formulário para cada aula.

  1. No título informe a data e o tema da aula.
  2. A primeira sessão do formulário use para identificar os alunos.
  3. Na sessão seguinte, explique os objetivos da aula e dê outras instruções sobre os conteúdos e atividades contida neste formulário.
  4. Na terceira sessão, inclua o conteúdo.
  5. Na próxima sessão, crie o questionário propriamente dito.

2 – Identificação do Aluno

Uma vez que foi criado um formulário para cada aula. Você deve criar uma pergunta para o aluno preencher seu nome (Qual seu nome? – resposta curta), esse dado será armazenado num Dashboard o Google Forms e também incluído numa Google Planilha automaticamente, acompanhado de um carimbo de data e hora do servidor, imediatamente após o aluno clicar em “Enviar formulário”.

PS- Opcionalmente o Google Formulário pode recolher automaticamente o e-mail do aluno, mas ele precisa fazer login para acessar o conteúdo do formulário.

3 – Entrega Conteúdo

O Google Formulário permite adicionar conteúdo rico diretamente no corpo do Formulário, pode ser vídeos embedados do YouTube, produzido por você ou curado a partir de vídeos de terceiros publicados no YouTube, ou ainda textos, ou links externos.

4 – Cria e Entrega Atividades

O Google Formulário foi desenvolvido para criar formulários. Para fins de atividades didáticas, sugerimos um mix de 5 a 10 questões de múltipla escolha (para que sejam autocorrigidas, veja mais a frente), e a menos uma questão discursiva (“Parágrafo”) na qual o aluno terá que fazer um resumo da aula, ou emitir um opinião sobre o conteúdo.

5 – Autocorreção

Para habilitar a autocorreção. No painel do Google Formulário, no canto superior direito clique no ícone de uma engrenagem “Configurações”, um pop-up vai abri na tela e você deve clicar em “Teste”, depois em “Habilitar Testes” e na sequência, no canto inferior do pop-up, clique em “Salvar”. Clicar em “Salvar” é muito importante porque você está alterando as configurações de funcionamento do Google Forms.

Uma vez o modo Teste habilitado e salvo. Você será redirecionado ao formulário que acabou de criar. Clique sobre a primeira questão de múltipla escolha que você criou. Localize no canto inferior direito “Chave de Resposta” e clique sobre esse link. Agora marque no canto superior direito da questão qual o valor (nota) quer atribuir a essa questão, e clique para marcar a alternativa correta (gabarito), clique em “Salvar” e repita esses passos: Chave de Resposta, Valor, Gabarito e “Salvar” em todas as outras questões.

Pronto! Seu questionário está criado e configurado a autocorreção das questões de múltipla escolha.

6 – Feedback Imediato

Uma vez que você configurou corretamente a autocorreção do seu Google Formulário. Agora, após o aluno entrar no Formulário, se identificar na primeira sessão, ver as orientações, assistir aos vídeos, explorar o conteúdo da aula, responder o questionário da atividade, e clicar em “Enviar formulário”, uma nova página será carregada para o aluno com o Feedback imediato, mostrando as questões que ele acertou (em verde) e as que errou (em vermelho), e neste caso, também, qual seria a alternativa correta.

PS. Recentes estudos da Neurociências da Aprendizagem tem apontado o feedback imediato como um poderoso recurso que promove um ganho de aprendizagem altamente significativo. Por isso, recomendo muito o uso de feedback imediato em todas as atividades no Google Formulário, quando possível e se aplicável.

7 – Registra Tudo

Aqui está a principal razão de porquê sugiro o Google Formulário para centralizar e enviar atividades didáticas no período de Lockdown provocado pela Pandemia de COVID-19.

Imediatamente após o aluno clicar em “Enviar formulário”, o sistema registra a data e horário do servidor em um campo chamado “Carimbo de Data e Hora” numa planilha associada a este formulário. Ou seja, nesta planilha – assim como um banco de dados – fica tudo registrado.

Registra de forma automática o Carimbo de Data e Hora, a Pontuação de acertos e erros das questões de múltipla escolha, o nome do aluno (lembre-se que você criou um espaço para a identificação do aluno na primeira sessão do questionário), e as respostas para cada questão do questionário de atividades.

8 – Fácil, Rápido e Gratuito

E ainda o Google Formulário é uma tecnologia muito robusta, responsiva, ou seja, abre em computadores, tablets, e em todos os smartphones. Basta uma conexão com internet e um navegador.

É rápido de aprender e muito fácil de usar. Existem milhares de tutoriais gratuitos no YouTube ensinando desde o básico até recursos avançados do Google Formulário.

E é gratuito. Neste momento de crise e incerteza um dos recursos mais preciosos que uma empresa, uma escola ou IES tem a cuidar é do caixa. Não é necessário nenhum investimento para usar Google Formulário de forma ilimitada.

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Qual a importância disso?

Pela Lei de Diretrizes e Bases Brasileira é preciso ter 200 dias letivos em cada ano letivo.

Com a paralisação devido a pandemia de COVID-19 muitas escolas estão criando atividades didáticas a distância.

Acontece que todas escolas de educação básicas, com raras exceções, em Ensino Médio, técnico e Ensino Superior NÃO TÊM AUTORIZAÇÃO para operar em EaD. Essa autorização é feita pelo Conselho Estadual de Educação, CEE.

Frente situação de Calamidade Pública causada pela pandemia que estamos vivendo, os CEEs estão discutindo a possibilidade de emitir essa autorização retroativa às escolas e IES, com a finalidade de criar equivalência entre as atividades didáticas em EaD com dias letivos presenciais.

Mas para isso, o texto base que os CEEs estão discutindo, fala de Registro e Ato Escolar. E exigem que o registro dos atos escolares contenham minimamente o tema da aula (de acordo com o plano de ensino), a identificação do aluno, o conteúdo da aula (também de acordo com o plano de ensino) e evidências e relatório do cumprimento das atividades propostas.

Frente a isso…e preocupado com operacionalização para atender a essas possíveis exigências dos CEEs para as escolas e IES requererem as equivalências das atividades didáticas realizadas a distância nesse período de isolamento, é que elaborei esse Plano Emergencial, que chamo de A APRENDIZAGEM NÃO PODE PARAR para, como sugestão, orientar as escolas e IES para que facilite seus processos internos futuros (pedagógicos, administrativos e legais) para cumprir as possíveis exigências da portaria a ser publicada pelo Conselho Estadual de Educação de cada estado.

CONCLUSÃO:

RECOMENDO UTILIZAR GOOGLE FORMULÁRIO PARA CRIAR, DISTRIBUIR E REGISTRAR AS ATIVIDADES DIDÁTICAS, ESPECIALMENTE AS ATIVIDADES A DISTÂNCIA DURANTE O PERÍODO DE ISOLAMENTO SOCIAL PROMOVIDO PELA PANDEMIA DE COVID-19.

Nesse momento você pode estar se perguntando.

Ok. Mas eu já utilizo um LMS ou AVA para fazer a gestão acadêmica e pedagógica dos meus alunos?

Minha sugestão é: converse com seu time pedagógico, seu time de TI e de preferência com seu jurídico e/ou procuradoria institucional. Se todos estão seguros sobre a facilidade e precisão de extrair os dados e gerar relatórios, ok. Continue como está.

Uso G Suite for Education e Google Sala de Aula, devo me preocupar?

Sim e não. Sim porque a pesar de ser uma ferramenta excelente, fácil de usar e muito completa, extrair dados do Google Sala de Aula não é uma atividade nativa, a pensar de possível, seu time de TI deve ser muito fluente em APIs do Google para conseguir isso, para então transformar os dados em relatórios. E Não. Porque você já tem tudo da mão, siga essa minha sugestão que não terá erro, ou seja, oriente seus professores a criar um Google Forms para cada aula e publicar o link desse Forms no Google Sala de Aula da turma.

Minha escola ou IES orientou a usar o Google Meet (ou qualquer outra plataforma de vídeo síncrono), o que devo fazer?

Antes de tudo compartilhe esse documento com seu gestor. A decisão é sempre dele. Mas veja, muitas escolas e IES têm optado por isso. Cria-se a sala no Google Meet, o professor dá aula, os alunos assistem a aula e gravam tudo. Acreditando que se está gravado esta registrado. Mas quando tiver – se tiver – que fazer o relatório com identificação dos alunos, conteúdo ministrado, e evidências da realização da atividade, você possivelmente terá que assistir todos os vídeos para fazer esse relatório. De verdade, não queria estar na sua pele.

Como crio um relatório de aula com o Google Formulário?

Você entrará na conta do Google Drive com o e-mail que criou o formulário. Pesquise por Formulário, abra seu formulário, clique em “Respostas”, aparecerá um Dashboard resumindo todos os dados deste Formulário, imprima essa página. Clique no ícone verde no canto superior direito do Dashboard, abrirá um Google Planilha com todos os dados, clique em “Arquivo”, depois em “Imprimir”, ajuste as configurações da sua impressora e pronto.

Alternativamente, entre no arquivo do formulário, clique num botão verde grande no canto superior direito do Formulário escrito “Compartilhar”, informe o e-mail do seu coordenador ou responsável por organizar os relatórios de aula da sua escola e IES, e clique em “Compartilhar”. Simples assim…

Dicas finais …

1- Crie um treinamento de Google Forms para seus professores. Ou compartilhe https://www.linkedin.com/redir/general-malware-page?url=http%3A%2F%2Fgg%2egg%2Fg-forms

2- Comunique pais e alunos de como e porquê a escola vai adotar essa estratégia.

3- Crie um formulário para cada aula.

4- Mantenha-se informado das mudanças. Lembre que estamos vivendo num momento de incertezas.

5- Considere um plano de transformação digital bem planejado e sistematizado para sua escola no curto a médio prazo.

6- Procure ajuda externa, se achar necessário.

Próximos passos …

1 – Se você é professor compartilhe este documento como seu coordenador ou diretor. Crie um grupo de discussão sobre este tema.

2 – Se você é gestor, compartilhe este documento com seu time pedagógico e jurídico.

3 – Se você é aluno, pai ou responsável, compartilhe este documento com os professores ou gestores da(s) escolas do seus filhos.

4 – Se você é servidor público ou governante discuta isso com o Secretário de Educação do seu Estado ou Município.

PS.

Este plano é baseado na minha experiência com formação de professores em tecnologias educacionais, nas minhas pesquisas e estudos sobre aprendizagem humana e neurociências da aprendizagem. O Plano tem a pretensão de ser o mais simples e efetivo possível no âmbito didático, administrativo e legal. Escolhi tecnologias e ferramentas amplamente disponíveis e gratuitas para ser o mais inclusivo possível, e eliminar o máximo de barreiras.

No entanto é uma sugestão. E como já disse antes… a decisão de adotá-lo ou não, de forma integral ou parcial é totalmente sua. Você, seja professor ou gestor, tem livre arbítrio para tomar decisões.

PS. Não há garantia que os Conselhos Estaduais de Educação – CEE aprovem pareceres de autorização de equivalência de atividades realizadas a distância para respeitar os 200 dias letivos da Lei de Diretrizes e Bases do Brasil, LDB.

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Palestras, prêmios e Relatório Social: saiba tudo sobre o 2º dia do Inspira 2020

As atividades que compõem o Inspira 2020 seguem a todo vapor. Nesta quarta-feira (29), os docentes da UniCesumar participaram do “InspiraTalk”, com palestras motivadoras, com temas que englobaram desde metodologias ativas até inovação tecnológica. Também foram realizadas apresentações culturais, com a abertura do evento sob a responsabilidade grupo de dança Arte de Transformar (ADT), e a entrega do prêmio Professor Revelação.

De acordo com a head de Formação Docente e Apoio Discente da UniCesumar, Karina Tomelin, a programação do segundo dia do Inspira 2020 foi idealizada para que os professores levem a inspiração para os alunos. “Trouxemos palestrantes de temas bem variados, de tecnologia à mudança cultural de ensino e metodologias ativas. Nosso objetivo é mobilizar o professor a pensar em estratégias diversificadas para a sala de aula”, declarou.

Um dos palestrantes que falou aos docentes foi Miguel Thompson, diretor acadêmico da Fundação Santillana, com o tema “Mundo complexo: identificando ordem no caos cotidiano”. Usando analogias como a Caixa de Pandora e o mito de Prometeu e o fogo, Thompson falou sobre a importância de criar desafios para os jovens. “A formação dos professores precisa ser cada vez mais generalista, com o docente precisando se inserir no universo do aluno. O modelo conceitual não serve mais, pois a inovação está acontecendo a todo o mundo e precisamos estar atentos a isso.”

A inovação foi um tema marcado na palestra sobre Machine Learning da consultora na área educacional Luciana Santos, que destacou o uso de Inteligência Artificial (AI). “AI nada mais é do que a junção entre a automatização de atividades por meio de um robô e a inteligência humana”, explicou. Para ela, o paradigma da aprendizagem precisa ser pautado na natureza do problema, com o conceito de “reaprender para aprender de novo”. “Nós, professores, somos cientistas da aprendizagem. Chegou o momento de pensar fora da caixa e ser disruptivos.”

Tratando sobre a personalização da aprendizagem, a organizadora do livro Ensino Híbrido e cofundadora da Tríade Educacional, Lilian Bacich, ressaltou a importância de valorizar a individualidade dos alunos. “Precisamos oferecer experiências de aprendizagem que valorizem o que funciona melhor para cada estudante. Por meio de formas alternativas de aprendizagem, comunicação e colaboração, o ato de aprender caminha cada vez mais rumo à escolha.”

As palestras da noite foram encerradas por Paulo Tomazinho, consultor de metodologias ativas que explanou sobre o tema “Aulas memoráveis”. Segundo ele, ensino nem sempre significa aprendizagem. “Com um bom professor e uma boa fala, o aluno entende o que é dito, mas não necessariamente aprende. Por isso, precisamos entrar no universo desses estudantes. Se a gente não entender o aluno, a gente não consegue ensinar”, declarou.

INSPIRA 2020: PROFESSOR REVELAÇÃO

Um dos destaques da noite foi o prêmio “Professor Inspiração”. O reconhecimento foi dividido em três categorias: docentes que renderam mídia externa positiva para a instituições, professores que participaram de congressos de alcance nacional e pesquisadores com alta produtividade em 2019. Os prêmios foram entregues pelo vice-reitor da UniCesumar, Wilson Matos Filho, e pela pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa, Ludhiana Ethel de Matos Garbugio.

A professora do curso de Nutrição da UniCesumar de Curitiba, Silvia Moro, foi uma das docentes reconhecidas por terem gerado mídia positiva para a Instituição. “É muito bom ser reconhecida nessas situações, porque a minha atividade foi muito simples. Servir comida para as pessoas na praça é algo feito há cem anos. Estou com planos de fazer uma série de outras coisas nesse 2020, e já pedi o apoio da direção do campus de Curitiba”, comemorou.

Na categoria de participação em congressos nacionais, o professor Dr. Braulio Magnani Branco foi premiado graças a quatro trabalhos vencedores em eventos. “É um reconhecimento que a comunidade cientifica teve em relação aos que nós temos desenvolvido na UniCesumar. Isso dá um prazer para que possamos trabalhar, e os alunos também podem ver que a Instituição está dedicada em reconhecer o nosso trabalho.”

Por fim, a professora Vivian Rezende, do curso de Enfermagem da unidade de Curitiba, foi homenageada pela produtividade em pesquisa. Para ela, apesar de ser entregue ao professor, o prêmio também reflete nos estudantes. “Esta homenagem é também um reconhecimento do trabalho e dedicação de nossos alunos, os quais fizeram parte dos projetos e impactaram por meio do conhecimento adquirido na universidade a vida de muitas pessoas”, enfatizou.

RELATÓRIO SOCIAL

Outro destaque na programação do segundo dia do Inspira 2020 foi o lançamento do Relatório Social 2019. O documento, desenvolvido pela Diretoria de Relações Institucionais, apresenta a descrição das atividades e realizações da UniCesumar no ano passado.

“O Relatório Social 2019 é uma conquista muito importante. Ele é uma vitrine das nossas melhores ações sociais e evidencia a relevância da instituição não somente para os nossos alunos, mas também para toda a sociedade. Com o Relatório Social, a UniCesumar honra sua linda história construída nesses 30 anos”, ressalta Weslley Matos, diretor de Relações Institucionais.

Para conferir o relatório, basta acessar o site oficial da publicação.

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Dr. Paulo Tomazinho: O papel das metodologias ativas no processo de ensino e aprendizagem

Nesta quarta-feira (22.01) o Prof. Dr. Paulo Tomazinho, do Paraná, capacitou professores do Colégio Notre Dame de Lourdes, em Cuiabá (MT), sobre metodologias ativas, cada vez mais presentes nas discussões sobre o futuro da educação em busca do melhor resultado no processo de ensino e aprendizagem.

“Estamos vivendo um momento em que novas tecnologias e novos desafios exigem que a escola deva cada vez mais estar apta a ensinar o aluno a aprender a aprender”, define o especialista.

Segundo Dr. Paulo Tomazinho, quando um bom professor dá uma aula bem montada, com início meio e fim, o aluno entende tudo. “Quando o aluno entende e compreende, ele acha que aprendeu e acha que vai lembrar de tudo no futuro. Isso é caracterizado como ilusão de influência”.

A aprendizagem, pontua o especialista, não é só esse processo de entendimento, de compreensão. O aluno tem que estar motivado, tem que estar querendo aprender, tem que entender, ou seja traduzir as palavras, os significados.

“E esse entendimento tem que fazer significado pra ele, tem que ser associado ao que ele já sabe, com memórias prévias. Depois o aluno tem que criar estratégias de onde está guardando isso em sua memória associado a quê, e daí qual a estratégia de recuperação dessa informação para, aí sim, aplicá-la na resolução de problemas reais”.

De acordo com Dr. Paulo Tomazinho, o problema é que muitos professores dão boas aulas, o aluno compreende, porém ele não tem tempo durante a aula de criar esse processo de armazenamento, recuperação e aplicação do que aprendeu.

“A gente chama isso de divisor de influência. Normalmente o professor vai perceber que o aluno gosta da aula dele, tira boas notas, e todos ficam contentes: o aluno, o pai, o professor, a escola”, pontua.

E acrescenta: “Mas, se esse professor tiver um senso mais crítico e depois da prova entrevistar esse aluno para ver o que realmente aprendeu vai, infelizmente, constatar que ele lembra muito pouco porque o objetivo foi estudar para a prova, para tirar nota, alcançar a média, passar de ano e deixar a família feliz”.

Paulo Tomazinho observa que este é um objetivo de memória de curto prazo, em que se faz um estudo de quantidade muito grande de conteúdo na véspera da prova, e depois esquece tudo, porque o objetivo não é necessariamente de aprendizagem de longo prazo, mas de tirar nota para passar de ano.

A estratégia mais simples que existe para que o aluno memorize a informação, de acordo com o especialista, é pedir para eles conversarem sobre aquilo que acabaram de entender e compreender.

“Para explicar para o colega, o aluno vai ter que entrar na sua mente, buscar nas memórias o que o professor falou, organizar e elaborar isso tudo para poder falar. Ao falar, às vezes a percepção do colega foi diferente da dele e aí vem a discussão. Ao conversar e praticar, os alunos estão um ensinando ao outro e todos sabem que a melhor forma de aprender é ensinando”.

Um desafio apontado pelo Dr. Paulo Tomazinho é traduzir a capacitação docente em práticas didáticas dentro da sala de aula. “Eu tenho usado embasamento em neurociência para mostrar aos professores da forma mais simples possível que não é preciso usar a aula inteira neste processo, mas alguns minutos, como que temperando essa aula em busca do melhor processo de ensino e aprendizagem”.

O Prof. Dr. Paulo Tomazinho é formado em Odontologia pela Unipar, Doutorado em Educação pela Universidad del Mar, e mestre em Ciências Microbiologia pela USP, além de Pós-Graduação e Doutorado em Odontologia pela Universidade Positivo.

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Com Metodologias Ativas, prof. Dr. Paulo Tomazinho ilustra semana pedagógica Mater Dei

Neurociência é o caminho pelo qual se incentiva o aluno a trabalhar em equipes pequenas, debatendo o conteúdo e até ensinando-o, o que aumenta a taxa de aprendizado em até 30%

Como profissional da área de Odontologia, Paulo Tomazinho ficava incomodado com a forma como as pessoas demonstravam aprender, ou ter dificuldade para tal. Isto o motivou a buscar o mestrado em Ciências, na USP e, em seguida, o doutorado em Educação, que concluiu no Chile em 2011. Atua ajudando clientes como Universidade Positivo, Nuvem Mestra – Partner Premier Google, UNIPAR, UniDomBosco, Unifacisa, Unifai, UFPR, Sinepe e SEMESPE, sendo que há três anos, o professor dr. Paulo Tomazinho vem palestrando por todo o Brasil sobre “Metodologias Ativas”, temática que trouxe para a Faculdade Mater Dei na noite desta segunda-feira, 4. A Semana Pedagógica Mater Dei iniciou-se em 1º de fevereiro e segue até dia 11, véspera do início das aulas, com diversificadas atividades programadas pela Assessoria pedagógica, sob a direção do prof. Dr. Dirceu Antonio Ruaro.

Metodologia ativa, explica ele, pode ser caracterizada quando o professor “sai de cena”, ou seja, sai do foco principal da aula, mas coloca o aluno no centro deste processo de ensino-aprendizagem. “Isso tem a ver muito com conhecer o aluno, as metodologias, as tecnologias, mas principalmente saber como esse aluno aprende e o que é significativo pra ele”. A neurociência é o caminho profícuo para conquistar esta realidade.

Tomazinho pondera que o papel deste professor está mudando muito. É sabido ser passado aquele professor que apenas transmite a informação, sendo o detentor do conhecimento, que prepara a aula e “palestra” ao aluno, esperando que este fique sentado, em silêncio, prestando atenção no professor.

“Metodologia ativa consiste em trabalhar em equipes pequenas, nas quais o professor passa a ser um designer de experiências de aprendizagem, que fala muito menos, pois cria recursos para o aluno discutir mais a matéria e os conteúdos. Isso dá muito mais significado para o aprendizado, que embasado desta forma, na ciência e literatura, acaba mostrando que como dá mais trabalho para o aluno todas as aulas, ele estuda um pouquinho todo dia, não precisa ter o estresse de assimilar uma grande quantidade de informações, por exemplo, para a prova. É muito mais eficaz. Se pensarmos em ciência, mostra que as metodologias ativas de modo geral trazem um aumento de 20% a 30% de aprendizagem”, explanou.

Pode parecer um grande desafio ao professor, mas a vantagem é que, propondo a discussão com seus alunos, o educador não tem mais a obrigação de ser sabe tudo. “Ele vira um parceiro de aprendizagem com o aluno”, pontuou. A dica para sair de uma eventual “saia justa” é: permitir-se experimentar. “Na dúvida, pergunte para os alunos. Pessoal, temos este conjunto de informações para estudar, como vocês gostariam de estudar isso? Provavelmente o professor vai se surpreender, pois os alunos vão estar com ideias e aplicação de vida real muito mais prática e vai fazer muito mais sentido e vai ser muito mais prazeroso para este professor”.

Neurociência

A compreensão e o entendimento do conteúdo, segundo Tomazinho, é apenas uma fase do aprendizado, é o comecinho. “Eu tenho que entender e compreender, depois tenho que criar estratégias para reter este conhecimento no cérebro, onde estou guardando esta informação do cérebro e, depois de guardada, como fazer para recuperar esta informação, pois acontece muito de se dar uma aula maravilhosa e o aluno entende tudo, mas na hora que você faz uma pergunta pra ele, diante de uma prova, se percebe que aquilo foi aprendido, mas dá o branco. Na verdade, ele guardou esta informação, mas não criou os caminhos onde guardou e muito menos as estratégias de recuperação”.  Segundo a Neurociência, as fases de aprendizado são:

1 Compreensão e entendimento

2 Estratégias de armazenamento

3 Estratégias de recuperação da informação

4 Aplicação deste conhecimento no mundo real

5 Criticidade (depois que usei aquilo que aprendi, avalio se isto está bom ou pode melhorar)

“Neurociência hoje é uma disciplina quase que fundamental para o professor compreender como é o aprendizado do aluno, que é por associação, ou seja, as pessoas aprendem sempre ligando uma informação a outra que ela já saiba, por isso que quem mais estuda aprende mais rápido, pois cria uma bagagem de informação tão grande em seu cérebro que qualquer nova informação se liga àquilo, faz mais significado para aprender mais”, informou Tomazinho.

Google for Education

Desde 2014, o prof. Dr. Paulo Tomazinho é certificado pelo Google for Education. Este é o departamento mundial do Google para educação, que tem ferramentas, tecnologias e modelos para promover educação de qualidade no mundo todo, gratuitamente, o qual qualquer escola pode adotar. O Google For Education seleciona algumas pessoas em cada país para fazer o treinamento presencial intensivo e concede a formação Google Certified Innovator, o inovador certificado pelo Google, que é o agente de mudança que domina essas ferramentas e está apto a fazer a formação de professores, bem como a mudança de projetos de inovação em educação em escolas ou faculdades. “Tenho a honra de ter esta certificação e fazer este trabalho grande com o Google em difundir metodologia, ferramentas de tecnologia, mas também a neurociência. O futuro é pensar essas três áreas juntas”, finalizou.

Assessoria de Comunicação Grupo Mater Dei 

Daiana Pasquim – Jornalista DRT/PR 5613 | Lucas Piaceski Agência PQPK


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Paulo Tomazinho ministra palestra na ACIU em homenagem ao “Dia do Contador”

Nesta manhã, 20, a palestra “Logo na minha vez” foi ministrada pelo Professor Paulo Tomazinho, Doutor em Educação e pesquisador de Estratégias Didáticas e Neurociências da Aprendizagem.

O palestrante também atua como membro do Grupo de Inovação do Semesp e Simep, e da Singularity University
Chapter de Curitiba. Fundador da Meta Aprendizagem, atua como palestrante e acredita que o ensino e a aprendizagem no mundo de hoje são fundamentalmente imperfeitos e precisam ser repensados.

Em homenagem ao “Dia do Contador” (dia 22 de setembro) a Associação Comercial, Industrial e (Aciu) ofereceu um café da manhã seguido da palestra que agregou conhecimento aos profissionais da área contábil.

A palestra foi resultado de uma parceria entre a Associação Comercial, Industrial e Agrícola (Aciu) e a
Universidade Paranaense (Unipar).